A Fermentar: João Rodrigues

A Fermentar

October
2026

A Fermentar: João Rodrigues

Neste espaço, apresentamos um talento em ascensão no mundo da gastronomia e da restauração. João Rodrigues, de 27 anos, venceu o concurso Jovem Talento da Gastronomia 2022, na categoria Cozinha. Fomos conhecer o cozinheiro que, atualmente, integra a equipa de cozinha do Noma, em Copenhaga.


Se a tua cozinha tivesse um slogan, qual seria?

“Sharing is Caring”. Foi uma mensagem que aprendi quando estive a trabalhar com a Mirna Gomes, no restaurante Mito. Quando me refiro a partilhar, não falo apenas de técnicas, mas também de metodologias de trabalho, formas de pensar e criatividade. Com isso, procuro tornar-me um exemplo para quem está a começar a sua jornada nesta indústria.

Quando foi o momento em que percebeste: “é isto que eu quero fazer para a vida”?

Não acho que tenha havido um momento específico que tenha definido esse pensamento. Fui apenas percebendo que estava a trabalhar numa área em que a procura pelo conhecimento é constante, e isso motiva-me a continuar.

Quando penso na transformação e alteração dos ingredientes ao longo de dias, meses ou anos, é algo que me fascina. O mesmo prato, com a mesma receita e os mesmos ingredientes, pode ser completamente diferente, por exemplo, devido à região ou às condições climatéricas. A juntar a isso, está o facto de cozinharmos para desconhecidos e, através da comida, conseguirmos despertar memórias ou sensações da sua infância.

Qual é o teu maior guilty pleasure gastronómico?

Tenho de admitir que, sem dúvida, é uma tarte de queijo.


Se amanhã abrisses o teu primeiro restaurante como se chamaria?

Evolvere. Estamos em constante evolução, tanto a nível pessoal como profissional. O conceito seria fundamentalmente baseado na micro-sazonalidade e nas fermentações.


Que prato gostavas de reinventar à tua maneira? O que farias?
Não existe um prato específico. Acredito que, cada vez que cozinhamos um determinado prato, de certa forma já o estamos a reinventar. Cada pessoa executa-o de uma forma distinta. As receitas são como os alicerces de uma casa e cada um acrescenta a sua própria identidade, de acordo com o seu gosto. Faço isso constantemente, baseando-me em sabores que tenha provado recentemente, produtos que tenha descoberto ou aventurando-me em combinações improváveis.

Que chefe gostavas de ter como mentor por um dia?

Já tive a oportunidade de trabalhar com mentores incríveis e, por essa razão, prefiro referir um pensamento que realmente me marcou e que tento transmitir a todos os que trabalham comigo. É a mensagem icónica da cozinha do Mugaritz: “Lo posible de lo imposible se mide por la voluntad del ser humano.”


O que nunca pode faltar na tua kit de trabalho/estojo de facas?

Cada restaurante exige utensílios distintos. No entanto, não podem faltar a minha petty knife e a faca de chef. Quando cheguei à Dinamarca, percebi que um box cutter, um salazar e uma espátula eram também essenciais para facilitar a execução de determinadas tarefas.


Daqui a 10 anos, como gostavas que falassem de ti?

Para mim, o mais importante é conseguir, de alguma forma, motivar aqueles que trabalham comigo a serem mais ambiciosos, melhores profissionais e mais conscientes em relação aos produtos.Se conseguir alcançar isso, a minha missão está cumprida.2024, comecei as minhas aventuras internacionais, passando pelo Mugaritz, pelo Geranium e pelo Noma, onde me encontro atualmente a trabalhar.

Autor:

Manja Newsletter

Fotografia:

DR