A Fermentar: Rui Costa

A Fermentar

July
2026

A Fermentar: Rui Costa

Neste espaço, apresentamos um talento em ascensão no mundo da gastronomia e da restauração. Rui Costa, de 22 anos, foi um dos vencedores do concurso Jovem Talento da Gastronomia 2025, na categoria Cozinha com Arroz. Fomos falar com o atual cozinheiro do restaurante Pepe Vieira, Pontevedra, Espanha.

Se a tua cozinha tivesse um slogan, qual seria?

Disciplina e persistência. Acredito que são dois pilares fundamentais para a construção de um percurso sólido na gastronomia, tanto dentro como fora da cozinha.


Quando foi o momento em que percebeste: “é isto que eu quero fazer para a vida”?

Quando me apercebi verdadeiramente do quanto cozinhar me faz feliz. Do prazer que encontro no processo, mas também — e muito — no acto de comer. Nesse momento percebi que não era apenas um trabalho, mas algo que queria fazer para a vida.


Qual é o teu maior guilty pleasure gastronómico?

Sem dúvida, a massa à lavrador feita no dia seguinte ao cozido à portuguesa. É conforto, memória e sabor concentrado — um prato que fala por si.


Se amanhã abrisses o teu primeiro restaurante como se chamaria?

“Horas são horas”. É uma frase que a minha avó repetiu inúmeras vezes ao longo da minha vida, ao ponto de se ter tornado uma piada entre nós. Prometi-lhe que, se um dia abrisse um restaurante, seria esse o nome — e a promessa mantém-se.

Que prato gostavas de reinventar à tua maneira? O que farias?
Acredito que na cozinha há espaço para tudo. Muitas receitas tradicionais já foram interpretadas de forma mais contemporânea, mas o que mais me interessa é preservar os sabores originais. Para mim, o essencial é que, independentemente da forma ou da técnica, o prato nos transporte imediatamente para a sua origem, sem regras rígidas. Por isso, estaria disposto a reinventar qualquer prato, desde que a sua identidade fosse respeitada.

Que chefe gostavas de ter como mentor por um dia?

Há vários chefes que me despertam interesse, mas actualmente, se tivesse de escolher um, seria o chef René Redzepi, pela forma como pensa produto, território e identidade.

O que nunca pode faltar na tua kit de trabalho/estojo de facas?

Para além dos materiais clássicos, diria um marcador e etiquetas. Organização, clareza e método são tão importantes como a técnica.


Daqui a 10 anos, como gostavas que falassem de ti?

Vivo muito focado no dia a dia e procuro apenas que amanhã seja melhor do que hoje. Por isso, não consigo dar uma resposta totalmente definida. Mas gostaria, certamente, que dissessem que sou um cozinheiro melhor do que aquele que sou hoje — isso, para mim, já seria uma grande conquista.

Autor:

Manja Newsletter

Fotografia:

Júlio da Silva