A Fermentar: Inês Queirós

A Fermentar

August
2026

A Fermentar: Inês Queirós

Neste espaço, apresentamos um talento em ascensão no mundo da gastronomia e da restauração. Inês Queirós, com 24 anos, foi uma das finalistas do concurso Jovem Talento da Gastronomia 2025, na categoria Pastelaria. Fomos conhecer a pasteleira que se prepara para, em breve, dar o próximo passo e abrir o seu próprio projeto.

Se a tua cozinha tivesse um slogan, qual seria?

“Fazer com paixão, criar com propósito.” Para mim, a pastelaria não é só seguir receitas, é colocar um bocadinho de nós em cada criação, ter paixão pelo que fazemos e procurar sempre criar algo que tenha significado.

Quando foi o momento em que percebeste: “é isto que eu quero fazer para a vida”?

Acho que não houve propriamente um momento específico, foi uma certeza que foi crescendo. Comecei a perceber que, independentemente do meu cansaço ou de como tinha sido o meu dia, quando era para trabalhar em pastelaria, tinha sempre vontade de ir e de fazer mais.

Mas acho que a confirmação também veio quando comecei a perceber o impacto que o meu trabalho tinha nas pessoas. Ver alguém feliz com um bolo ou com uma sobremesa que eu tinha feito, receber o feedback das pessoas e perceber que aquilo que criei conseguia proporcionar-lhes um momento feliz teve um peso enorme na minha decisão. Foi aí que percebi que não queria apenas trabalhar em pastelaria — queria fazer disto a minha vida.

Qual é o teu maior guilty pleasure gastronómico?

A baba de camelo da minha mãe. É daquelas sobremesas que, por mais vezes que coma, nunca me canso. E acho que, por ser feita pela minha mãe, tem aquele sabor especial que nenhuma versão de pastelaria consegue substituir.


Se amanhã abrisses o teu primeiro restaurante como se chamaria?

Meraki. É um nome que gosto muito porque transmite a ideia de fazer alguma coisa com alma, criatividade e dedicação. É exatamente a forma como gosto de trabalhar: deixar uma parte de mim naquilo que faço.

Que prato gostavas de reinventar à tua maneira? O que farias?
Gostava de pegar num clássico português, o pastel de nata, e desconstruí-lo e reinventá-lo sem perder a sua identidade. Manteria os sabores que toda a gente reconhece — a massa folhada, o creme e a canela — mas apresentados de uma forma mais contemporânea, com diferentes texturas e temperaturas. Para mim, reinventar um clássico não é fazer algo completamente diferente; é conseguir surpreender sem fazer as pessoas esquecerem aquilo que estão a comer.

Que chefe gostavas de ter como mentor por um dia?

A chefe Andreia Moutinho ou a chefe Lara Figueiredo. São duas referências que admiro e com quem gostava muito de poder passar um dia. Seria uma oportunidade incrível para observar de perto a forma como trabalham, como pensam uma criação e, sobretudo, aprender com a experiência e a visão que cada uma tem da pastelaria.

O que nunca pode faltar na tua kit de trabalho/estojo de facas?

Salazares, fouets, uma batedeira planetária, uma espátula e uma faca de serra. São ferramentas que uso imenso no dia a dia e que, para mim, fazem toda a diferença. Mas, acima de tudo, não pode faltar vontade de trabalhar. Porque podemos ter o melhor material do mundo, mas se não houver técnica, organização e vontade de aprender, não serve de muito.


Daqui a 10 anos, como gostavas que falassem de ti?

Gostava que dissessem que fui uma pessoa que começou com um sonho, trabalhou muito para o concretizar e nunca deixou de aprender. Quero ser reconhecida não só pelo que faço, mas pela minha criatividade, pela minha forma de trabalhar e pela paixão que coloco na pastelaria. E, se conseguir inspirar outras pessoas a acreditarem que também conseguem construir o seu próprio caminho, melhor ainda.

Autor:

Manja Newsletter

Fotografia:

Júlio da Silva