
Maria Lima é arquiteta de formação e iniciou a sua vida profissional em Londres, onde estudou e trabalhou em produção de moda. Em 2017, regressou a Portugal e, durante esse período, descobriu a kombucha e a fermentação. O que começou como um hobby foi crescendo até ao ponto de considerar criar uma marca e montar uma produção própria. Percebeu que existia uma oportunidade de negócio e foi assim que, em 2019, nasceu a Aquela Kombucha, “uma bebida muito equilibrada, com o balanço perfeito entre doçura e acidez”. Mais recentemente, lançou a Klaaark, “a primeira ginger beer biológica produzida em Portugal de forma independente”.
Numa era em que o consumidor parece estar mais consciente do que consome, essa preocupação reflete-se também nas escolhas de bebidas. Produtos alternativos, como kombuchas, sodas e ginger beers, começam a ganhar cada vez mais destaque.
A responsável fala-nos do futuro deste tipo de bebidas, do crescimento do mercado sem álcool e de como é possível criar produtos saborosos, saudáveis e inovadores que acompanhem as tendências de consumo e promovam um estilo de vida mais consciente.
Como surge a ideia de criar uma marca de kombucha, em 2019?
Comecei a fermentar em casa, em 2017, na cozinha da minha mãe. Enquanto consumidora, sempre senti que não havia uma bebida para mim, pois nunca apreciei refrigerantes. Para além dos sumos naturais e das infusões, faltava-me algo e foi aí que surgiu a kombucha. Apaixonei-me pelo produto e pelo processo e, como eu, outras pessoas começaram a descobrir este “elixir da vida”. O que era um hobby sem qualquer expectativa foi crescendo organicamente até que decidi avançar para montar uma pequena fábrica, em 2019. Passo a passo, o projeto foi evoluindo, os desafios foram sendo superados, até que lancei a marca em 2020.
Como foi entrar no mercado nessa altura?
Estava já a criar um pequeno stock quando surgiu a pandemia e fomos todos para casa. Como não sou de ficar parada, decidi montar uma loja online, uma vez que não havia previsão para o fim do confinamento e eu já tinha a kombucha engarrafada e refrigerada. Acabei por lançar a marca através da loja online, no próprio site, e dar a conhecer o produto “à distância”. A relação com a restauração foi-se desenvolvendo à medida que os espaços foram reabrindo.
Em que é que Aquela Kombucha se distingue das demais?
A Aquela Kombucha distingue-se pela qualidade e autenticidade. É uma bebida muito equilibrada, sendo o balanço entre a doçura e a acidez o nosso ponto forte. O facto de não se aproximar dos refrigerantes nem ter um perfil “medicamentoso” torna-a perfeita para todos os momentos. É leve, saborosa e, acima de tudo, viva. Não a pasteurizamos, para manter os microrganismos que a tornam um probiótico natural.
Vivemos uma fase em que o público procura alternativas ao álcool ou com baixo teor alcoólico. A introdução do novo produto, Klaaark, uma ginger beer, resulta disso?
Sim. A fábrica tem vindo a tornar-se um verdadeiro hub de inovação. A equipa é muito dinâmica e está sempre à procura de criar novas bebidas com o mais alto padrão de qualidade. Temos constantemente experiências a decorrer: algumas avançam, outras não. A ginger beer foi uma dessas experiências que resultou muito bem.
Porquê uma ginger beer?
A ginger beer é uma bebida com muita história e com uma popularidade crescente, o que nos entusiasma. Existe espaço no mercado para uma ginger beer artesanal, feita em Portugal, com muito menos açúcar e com gengibre verdadeiro. Com foco no universo das bebidas sem álcool, procuramos desafios que cruzem qualidade e uma fórmula limpa. Acredito verdadeiramente em “clean labels”. Sei que é possível criar produtos em escala sem ingredientes nocivos à saúde. Não encontro motivação para fazer de outra forma.
Como foi o processo até chegar ao resultado final?
Fizemos inúmeros testes de formulação, com diferentes métodos de produção. Não existe um guião sobre como produzir ginger beer a nível industrial, por isso fizemos aquilo que sabemos melhor: testar e experimentar com os métodos que dominamos. É um trabalho exigente e demorado, que envolve procurar fornecedores, testar variáveis de concentração e quantidades, até chegar ao resultado ideal.
A teu ver, esta procura por bebidas sem álcool ou com baixo teor alcoólico está associada a uma maior consciência do consumidor?
Sim, existe uma tendência clara para o bem-estar que me parece irreversível. Eu própria encaixo nesse perfil, por isso posso ser suspeita! Mas acredito que a consciencialização sobre o que consumimos e a forma como vivemos já não pode ser ignorada. Informação é poder, e o consumidor está mais informado do que nunca.
Da tua experiência com restaurantes, como têm os clientes recebido estas bebidas?
A restauração é o nosso principal canal de vendas e onde sempre sentimos maior abertura para receber as nossas criações. Existe um espírito de inovação constante, o que abre portas a novidades. Sou muito grata a este universo por acreditarem no que fazemos.
A par disso, sentimos também que a restauração tem necessidade de acompanhar estas tendências e de não excluir quem não consome álcool. Conhecemos a realidade de cartas de vinhos extensas que não contemplam alternativas não alcoólicas. A oferta baseada apenas em refrigerantes ou sumo de laranja ainda existe, mas está gradualmente a evoluir para opções mais interessantes do ponto de vista gastronómico - e nós somos prova disso.
E os fermentados? Sentes que há uma maior consciência dos seus benefícios?
Ainda é um nicho, mas sim. Sinto que se começam a partilhar dicas e receitas de forma informal, entre amigos e família, e o passa-palavra tem um grande impacto. A crescente atenção à saúde intestinal também contribui para este interesse. Apesar de termos perdido, enquanto sociedade moderna, a ligação à fermentação — o nosso antigo “frigorífico” — sinto que está a renascer, e ainda bem.
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