
Neste espaço, apresentamos um talento em ascensão no mundo da gastronomia e da restauração. Julia Adamczewska , de 18 anos, foi uma das vencedores do concurso Jovem Talento da Gastronomia 2025. Fomos falar com a aluna do 11º ano do curso profissional de cozinha e pastelaria do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte em Mação, para saber mais sobre o seu percurso e ambições futuras.
Se a tua cozinha/pastelaria tivesse um slogan, qual seria?
"Cozinhar com o coração, servir com dedicação, partilhar com paixão."
Quando foi o momento em que percebeste: “é isto que eu quero fazer para a vida”?
Não foi de um dia para o outro que percebi que a cozinha era o que queria para a minha vida. Na minha infância, em momentos simples passados na cozinha com a minha mãe, a preparar pratos tradicionais da Polónia para o Natal e para a Páscoa, ou a decorar bolos de aniversário, já existia essa influência. Lembro-me de momentos cheios de carinho, partilha e tradição, que ficaram gravados em mim e na minha memória.
À medida que fui crescendo, comecei a procurar receitas cada vez mais desafiantes e a prepará-las para a minha família e amigos, o que me dava uma enorme alegria. Cozinhar era quase uma brincadeira, uma forma de expressar ideias e sentimentos. Mas tudo mudou quando entrei na escola. Aprender com os chefes, trabalhar ao lado deles, ver a precisão dos cortes, a rapidez, o foco e o fluxo natural que tinham na cozinha — foi nesse momento que percebi que não era apenas gosto, era paixão. Foi ali que tive a certeza de que a cozinha era o meu lugar e que era este o caminho que queria seguir.
Qual é o teu maior guilty pleasure gastronómico?
O meu maior guilty pleasure gastronómico vem das minhas raízes, da Polónia, onde a batata está muito presente à mesa. A sensação de comer uma simples batatinha cozida com endro, acompanhada por salada de pepino com natas, salada de beterraba ralada e um ovo frito, leva-me imediatamente de volta a casa da minha bisavó. É um prato simples, mas cheio de memória, conforto e sabor — que me faz sentir em casa.
Se amanhã abrisses o teu primeiro restaurante, como se chamaria?
Se abrisse um restaurante meu, chamar-lhe-ia “Zielona”, que significa “verde” em polaco. Seria um restaurante assente numa cozinha sustentável, vegetariana e vegan.
Que prato gostavas de reinventar à tua maneira? O que farias?
Para mim, reinventar não é mudar um prato, mas sim dar-lhe uma nova alma. Não me prendo a uma única receita, mas sim a um processo criativo onde o meu estilo pessoal dita as regras.
Adoro o desafio de substituir a proteína animal por legumes e alternativas vegetarianas, provando que a cozinha plant-based pode ser vibrante e robusta.
A minha assinatura está na intensidade do uso das especiarias, no calor do picante e na frescura das ervas aromáticas, criando camadas de sabor que despertam os sentidos. Reinventar é isso: honrar a essência da tradição, mas temperá-la com o meu amor por sabores marcantes e autênticos.
Que chefe gostavas de ter como mentor por um dia?
Escolher um único mentor é um desafio, especialmente depois de ler “Chefs sem Reservas”, de Nelson Marques, que me ensinou a encontrar inspiração em cada percurso de vida. Contudo, se pudesse viver um dia de aprendizagem absoluta, escolheria estar ao lado de Alain Ducasse, pela sua capacidade de fundir técnica rigorosa, criatividade e excelência sem compromissos. Para mim, seria a oportunidade definitiva de absorver a sua visão sobre disciplina e inovação, e aprender como a atenção obsessiva ao detalhe transforma a gastronomia em arte de alto nível.
Mais do que uma aula, seria uma experiência transformadora que moldaria a minha identidade enquanto profissional — algo em que me revejo muito, sobretudo na sua filosofia “Naturalité”.
O que nunca pode faltar na tua kit de trabalho/estojo de facas?
No meu kit, o essencial começa com uma boa faca de chefe. Depois, os básicos indispensáveis: uma tábua de corte ampla, que me dá liberdade de movimentos, e o rigor da mise en place. Uma taça de inox para os desperdícios é fundamental, pois acredito que uma cozinha limpa é o reflexo de uma mente focada. Também gosto de ter panos sempre à mão e o espaço impecável. Assim, consigo garantir que a minha energia se concentra apenas no que importa: o sabor e a perfeição do prato.
Daqui a 10 anos, como gostavas que falassem de ti?
Daqui a 10 anos, já com a minha formação concluída, gostaria de ser reconhecida pela minha entrega e resiliência, como alguém que trabalha com paciência e dedicação total. Sou movida pela empatia e pela sensibilidade, o que me permite aplicar um cuidado extra em cada detalhe. O meu objetivo é ser vista como uma profissional que não se acomoda, que procura evoluir constantemente e que vive a gastronomia de forma intensa. Acima de tudo, espero que a minha dedicação de corpo e alma sirva de inspiração para quem trabalha comigo.
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