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NESTA EDIÇÃO: NOVE ANOS NO JAPÃO: A JORNADA DE RICARDO KOMORI | ENTRELEGADOS E NOVAS VOZES | GUARDIÃS DO MAR | ESTHER MERINO CONSCIÊNCIA DE SALA

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A Revista Manja é a sucessora da Inter Magazine, construindo uma nova identidade sem negar o seu historial editorial. É um novo começo. Um novo conceito.

Publicada trimestralmente, a Manja é uma revista com estilo e sem pressa, que oferece uma visão aberta, curiosa e contemporânea sobre o mundo da gastronomia e da hospitalidade. É sempre em papel, com textos em português e inglês, e fala a partir de Portugal, mas de olhos bem abertos para o mundo.

É uma edição das Edições do Gosto, com total independência editorial.

A Manja bebe dos valores que norteiam todo o universo das Edições do Gosto, tais como a partilha e preservação do conhecimento, a abrangência territorial (do país inteiro, sem exceções), a sustentabilidade com sentido prático, o diálogo entre gerações, a integração, inclusão e igualdade de oportunidades, a expressão artística como forma de intervenção social e o bem-estar psicológico como parte essencial do setor.

Mais do que uma revista, a Manja é um espaço de reflexão, inspiração e conexão — entre pessoas, saberes e sabores.

MANJAM CONNOSCO

Catarina Amado

Cláudia Lima Carvalho

Filipe Camacho

Humberto Mouco

João Pateira

Lara Espírito Santo

Louis Cannings

Luís Antunes

Manuel Ferreira Chaves

Olga Cavaleiro

Paulo Amado

Rafael Tonon

Rui Penedo

Sónia Alcaso

Tamara Alves

Teresa Vivas

Theo Gould

Tiago Lopes

Virgílio Nogueiro Gomes

#291#291

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#291

Falar de produtores é falar de quem trabalha com o tempo, mas nunca o controla. Nos últimos meses, os temporais tornaram isso ainda mais evidente. Chuvas intensas, ventos infernais, campos alagados, colheitas perdidas. Para quem produz, o risco deixou de ser exceção e passou a fazer parte da equação diária. Não é apenas uma questão climática. É económica, social e alimentar. Quando uma produção falha, falha muito mais do que um produto. Falha rendimento, falha estabilidade. Falha, diria eu, futuro. Os efeitos destes fenómenos não se medem apenas no imediato. Há culturas que não recuperam, solos que precisam de tempo, investimentos que voam para o espaço. Um ano difícil pode comprometer os anos seguintes. Ainda assim, muitos pequenos e médios produtores continuam a resistir a cada abalo. Ajustam calendários, reinventam práticas, experimentam soluções, muitas vezes sem margem de erro e com poucos apoios. A resiliência tornou-se parte do ofício. É neste contexto que importa recentrar o olhar sobre quem está na origem daquilo que comemos. Valorizar os produtores não é apenas falar de proximidade ou de identidade. É reconhecer o risco, o trabalho invisível e a fragilidade real de quem depende da terra e do mar. E, claro, sempre do clima. Proteger a produção é proteger o território. Exige políticas consistentes, cadeias de distribuição mais justas e consumidores atentos ao que está por trás de cada escolha. Não basta celebrar o produto final. Temos de celebrar também as condições em que ele nasce. Num tempo marcado pela instabilidade, importa também sublinhar aquilo que resiste. A recente vitória da democracia nas eleições presidenciais lembra-nos que há processos coletivos que funcionam quando são defendidos. E participados, pois claro! Tal como na agricultura, também na democracia o resultado nunca é garantido. Exige cuidado, presença e responsabilidade. Num país onde se vota, onde se escolhe e onde se protege o que é comum, há espaço para acreditar que também o futuro (seja da produção ou de qualquer outra área) pode ser pensado, defendido e cultivado em conjunto.

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