
"Entre entulho e sucata" é o nome da nova exibição do artista Diego Inestrillas, em Lisboa.
"Por que insistimos em projetar futuros diferentes? O que é realmente habitar o presente se ele se baseia completamente numa conceção do passado e numa previsão do futuro? O presente é catalisador da memória e do anseio, é tanto uma realidade quanto uma ilusão, é um momento em que imaginamos com base no que lembramos, onde sentimos o que em algum momento foi e o que pode ser. É um momento de transformação, uma metamorfose que não oferece uma forma final, que implica aceitar o que já não é e o que ainda não sabemos nomear. Não percebemos a natureza como ela é, mas como aprendemos a vê-la; a crise ecológica é epistémica mais do que ambiental.
Dentro deste novo imaginário, sugere-se vida através da forma, onde se figuram objetos reconhecíveis, interações entre formas que sugerem momentos de transformação, de metabolização, de consumo, extração e vida. Dentro deste espaço, não é evidente quem consome quem; observa-se como a vida transforma, como consome, sem julgamento entre os atores, sem preferência por diferentes naturezas. A obra permite um momento que parece estar a acontecer diante dos nossos olhos, preso num momento desconfortável entre a criação e a destruição. Enfrenta um momento em que obstrui o caminho da indiferença e permite a reflexão sobre novas ontologias da vida e da natureza".
Diego Inestrillas é um artista multidisciplinar (Cidade do México, 1998) cuja prática se centra na representação do diálogo entre materiais, espaços e sujeitos, investigando a intersecção entre o natural e o industrial. Viver em constante trânsito entre a floresta e a cidade despertou o seu interesse em compreender de onde provém a atitude de cada pessoa em relação ao seu ambiente. A partir de colaborações com disciplinas como a biologia, a antropologia e a neurociência, Inestrillas explora processos de transformação, memória e perceção, criando obras que nos convidam a refletir sobre as ligações entre corpo, matéria e território.
Programa
18h Introdução à exposição com peças de escultura e desenho
18h30 Degustações_Terra, restos e ossos de chocolate e biscoito
A exposição estará disponível a visitar entre 22 de janeiro e 22 de fevereiro. A entrada é livre.
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