Gonçalo Gaspar

A Fermentar

Outubro
2026

Gonçalo Gaspar

Neste espaço, apresentamos um talento em ascensão no mundo da gastronomia e da restauração. Gonçalo Gaspar, de 25 anos, venceu o concurso Jovem Talento da Gastronomia 2022, na categoria Pastelaria. Fomos conhecer o cozinheiro que, atualmente, integra a equipa da Casa de Sada Algarve Beach Resort, Curio Collection by Hilton.


Se a tua cozinha tivesse um slogan, qual seria?

«Feito de raiz e sem pressa» Sou defensor de produzir tudo de forma caseira e de raiz. Gosto de compreender o processo de elaboração de todos os produtos que utilizo. E «sem pressa» porque acredito que a pressa é inimiga da perfeição.



Quando foi o momento em que percebeste: “é isto que eu quero fazer para a vida”?

Acho que posso dizer que foi no último ano do curso, quando os serviços já eram levados mais a sério. Foi aí que percebi que seria feliz e me sentiria realizado a trabalhar numa cozinha. Seguiram-se os estágios, que vieram confirmar aquilo que já sabia e que, todos os dias, me motivava a ir para o hotel trabalhar e aprender.

Qual é o teu maior guilty pleasure gastronómico?

Considero-me um grande fã de arroz, por isso, qualquer prato de arroz é um guilty pleasure para mim. Ainda assim, posso afirmar que um bom arroz de peixe é um dos meus pratos preferidos.


Se amanhã abrisses o teu primeiro restaurante como se chamaria?

Acho que lhe daria o nome de RAIZ, porque tem muito a ver comigo e com a minha vontade de aprender e de conhecer tudo de raiz, do início ao fim.


Que prato gostavas de reinventar à tua maneira? O que farias?
Acho que faria sentido reinventar um prato da minha infância, que comia muitas vezes em casa dos meus avós: a massada de bacalhau com ovo escalfado. Gostava de lhe dar uma apresentação visual mais apelativa, mantendo o sabor de sempre. Em vez da tradicional massa, faria raviolis recheados com a base da massada, preparada com pimento, cebola, tomate e alho, e introduziria uma gema de ovo de codorniz em cada ravioli. Para o bacalhau, utilizaria um lombo confitado e, por fim, finalizaria o prato com um molho preparado com caldo de bacalhau, tomate, pimento e muitos coentros.

Que chefe gostavas de ter como mentor por um dia?

O chefe Diogo Lopes. Acompanho o seu trabalho há vários anos e admiro a criatividade e a elegância de cada sobremesa que cria. Acho que adoraria acompanhá-lo durante um dia e conhecer melhor o seu trabalho e a sua rotina.


O que nunca pode faltar na tua kit de trabalho/estojo de facas?

Quem me conhece sabe que ando sempre com a minha espátula e o meu termómetro. São utensílios essenciais em qualquer pastelaria, tanto pela sua versatilidade como pela importância que têm em diferentes processos e confeções.


Daqui a 10 anos, como gostavas que falassem de ti?

Gostava que falassem sobre o meu trabalho e, acima de tudo, que me reconhecessem como alguém que defende o setor da hotelaria e da restauração e que valoriza cada profissional desta área. Acredito que ainda falta reconhecer e valorizar mais a pastelaria em Portugal, e gostava de poder contribuir para que isso acontecesse.

Autor:

Manja Newsletter

Fotografia:

DR