Afonso Dantas

Nós As Pessoas

Outubro
2026

Afonso Dantas

Afonso Dantas é um dos nomes em ascensão na cozinha portuguesa. Natural do Funchal, na Madeira, fixou-se em Évora, onde, desde 2025, lidera o restaurante A Cozinha do Paço, que conquistou uma estrela Michelin nesse mesmo ano. Aos 27 anos, conta com um percurso marcado pela experiência em França, onde o rigor, a técnica e a disciplina foram determinantes para a sua formação e identidade enquanto chefe.

Nesta entrevista, com o cunho Nós As Pessoas, Afonso fala sobre o outro lado da cozinha, como lida com a pressão e com o dia-a-dia da sua profissão.



O que te ajuda a lidar com a pressão na cozinha?

A minha equipa. Todos os elementos da minha equipa são fundamentais para lidar com esta pressão, destacando-se a minha subchefe, que é alguém que me ajuda todos os dias a aliviar essa pressão. Assim, a execução das tarefas e as responsabilidades ficam mais distribuídas e, como é lógico, isso é extremamente importante neste aspeto.

Como desligas da cozinha?

Ainda é muito difícil conseguir fazê-lo. Trabalho imenso e a minha vida gira muito à volta da cozinha ou do ato de pensar em cozinha, por isso, é sempre muito difícil desligar. Sou muito feliz naquilo que faço e sinto-me realizado profissionalmente.

Por isso, logicamente, quando estou de folga, muitas vezes continuo a pensar na cozinha, mas por gosto, não por obrigação. Diria que, hoje em dia, continua a ser difícil desligar, mas não de forma negativa. Sou uma pessoa muito apaixonada por aquilo que faço e, naturalmente, de forma consciente ou inconsciente, penso muito em cozinha.
Nesse sentido, no tempo que tenho livre, cozinho em casa, claro. Gosto muito de fazer bacalhau à Brás, um dos meus pratos preferidos. Para mim, este prato significa conforto e tradição.

Houve algum momento na tua vida em que percebeste que precisavas de abrandar e cuidar mais de ti?

Diria que há episódios na vida que nos levam a repensar as nossas escolhas ou, pelo menos, o rumo que damos à nossa vida. Há quatro anos, tive, talvez, um dos maiores picos de trabalho da minha vida e sofri um acidente de carro porque, ao sair do trabalho, adormeci ao volante. Foi uma experiência que me fez, sem dúvida, refletir mais sobre a necessidade de encontrar um equilíbrio na minha vida. Nunca trabalhei tanto por obrigação, mas sim por vontade própria, porque gosto imenso daquilo que faço e sinto um enorme prazer em trabalhar. Ainda assim, este episódio fez-me questionar a forma como cuido de mim e repensar, de forma mais consciente, as minhas escolhas.



Que experiência ou conquista do teu percurso gostarias de partilhar por poder inspirar outras pessoas?

Acho que não existe uma história especificamente inspiradora, porque o mundo verdadeiramente cor-de-rosa não existe. Há sempre altos e baixos. Acredito que é a construção do nosso percurso que pode, por si só, tornar-se inspiradora.

No meu caso, penso que as conquistas que fui alcançando ao longo da vida têm sido uma fonte de motivação e inspiração, não só para mim, mas também para a minha própria carreira. Fico muito feliz com as conquistas que alcanço, pois são um combustível que me motiva a querer conquistar ainda mais. Acredito também que, enquanto jovem, posso vir a inspirar outras pessoas pelo percurso que tenho vindo a construir desde cedo.


Autor:

Manja Newsletter

Fotografia:

Manuel Ferreira Chaves